quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Poema escrito por ELE.


Que feliz sou eu, meu amor!
Já, já estaremos casados,
O café da manhã na cama,
Um bom suco e um pão torrado

Com ovos bem mexidinhos
Tudo pronto bem cedinho
Depois irei para o trabalho
E você para o mercado

Daí você corre pra casa
Rapidinho arruma tudo
E corre pro seu trabalho
Para começar o seu turno

Você sabe que de noite
Gosto de jantar bem cedo
De ver você bem bonita
Alegre e sorridente

Pela noite minisséries
Cineminha bem barato
Nada, nada de shoppings
Nem de restaurantes caros

Você vai cozinhar pra mim
Comidinhas bem caseiras
Pois não sou dessas pessoas
Que gosta de comer besteiras...

Você não acha, querida
Que esses dias serão gloriosos?
Não se esqueça, meu amor
Que logo seremos esposos!


Poema escrito por ELA.
Que sincero meu amor!
Que oportunas tuas palavras!
Esperas tanto de mim
Que me sinto intimidada

Não sei fazer ovo mexido
Como sua mãe adorada,
Meu pão torrado se queima
De cozinha não sei nada!

Gosto muito de dormir
Até tarde, relaxada
Ir ao shopping fazer compras
Com o Visa tarja dourada

Sair com minhas amigas,
Comprar só roupa de marca
Sapatos só exclusivos
E as lingeries mais caras

Pense bem, que ainda há tempo
A igreja não está paga
Eu devolvo meu vestido
E você seu terno de gala

E domingo bem cedinho
Prá começar a semana,
Ponha aviso num jornal
Com letras bem destacadas:

HOMEM JOVEM E BONITO
PROCURA ESCRAVA BEM LERDA
PORQUE SUA EX-FUTURA ESPOSA
MANDOU ELE IR À MERDA!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010


Meus olhos sabem dizer o que estou sentindo
E o silêncio dos meus lábios é parceiro dos ouvidos
Que absorvem as palavras mal medidas
Às vezes ditas sem querer ou sem motivo.
Presto atenção, escuto muito e pouco falo
Quando me calo é que aprendo o que preciso!
Sigo aos pouquinhos, entendo o sentimento
Que junto ao tempo correm todos os sentidos.
Toda quietude revela sabedoria
Não tem valia a pretensão de se dizer
Pois cada um melhora um pouco a cada dia
E a gente sempre vai ter coisas pra aprender.
Se nessa vida, uma palavra mal medida
É sempre um ponto de partida pra se pôr tudo a perder
Bem ao contrário a vivência nos ensina!
Meus lábios sábios dão lugar aos meus ouvidos
Feito aprendizes, sabem quando se calar
Pois vem dos braços todo esforço que preciso
E está nos olhos o que tenho que falar.
Para entender o que absorvem meus ouvidos
Mirem no fundo da expressão do meu olhar,
Já que a experiência corre em todos os sentidos,
Me paro quieta e convido o coração pra conversar.

Pirisca Grecco

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sou egoísta, impaciente e um pouco insegura. Cometo erros, sou um pouco fora do controle e às vezes difícil de lidar, mas se você não sabe lidar com o meu pior, então com certeza, você não merece o meu melhor.
Marilyn Monroe

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Na vida todos temos
um segredo inconfessável,
um arrependimento irreversível,
um sonho inalcançável e
um amor inesquecível.

Diego Marchi

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

É melhor tentar e falhar,
que preocupar-se e ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se,
fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar,
que em dias frios em casa me esconder.
Prefiro ser feliz embora louco,
que em conformidade viver

Martin Luther King
Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.
Clarice Lispector.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

SER GAÚCHO...

Ser gaúcho não é apenas ter nascido, ou viver, no Rio Grande do Sul, seja na cidade ou no campo. Ser gaúcho é muito mais do que isso. Para ser gaúcho, também não é necessário andar sempre pilchado (ainda mais quando a pilcha nao é correta). Ser gaúcho é trazer no peito um amor e orgulho por ter nascido nesta terra, a mesma de Sepé. É saber cantar o hino em toda e qualquer ocasião. Não conheço, ou melhor, não sei de outro brasileiro que, em qualquer ocasião, cívica, esportiva, ou festiva, que além do hino nacional, cante também o hino do seu Estado. E isso não é fanatismo patriótico!

Ser gaúcho é isso, não é apenas ter nascido ou viver aqui. É um estado de espírito, um orgulho (não soberba) de manter uma identidade, forjada ao longo dos anos, calcada na cultura, costumes, culinária, hábitos, música, jeito de ser, que tanto está se perdendo no mundo globalizado. MArco Aurélio Campos, definiu, em uma frase, com pureza, todo o sentido espiritual e material desse ser que habita, não só o RS, mas também o Uruguai e parte da Argentina: “Eu sou gaúcho e me chega pra ser feliz no universo”. Não se trata de prepotência e sim de alguém definido, resolvido no mundo.

(Autor Desconhecido)

sábado, 11 de setembro de 2010


Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo. (Oscar Wilde)

Não fazer mais nada...


Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de mais nada fazer.


Clarice Lispector.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

SIM, SOU ASSISTENTE SOCIAL


Todos os dias quando me levanto me pergunto: por que escolhi esta profissão?

Ela permanentemente está presente no meu cotidiano. Quando vou ao Parque da Redenção, num domingo de sol, cheio de gente, me sinto feliz, mas aí... O meu outro eu - Assistente Social - chega e diz: "olha ali aquela criança descalça neste frio, cheirando loló. Olha mais adiante aquele homem dormindo ao relento". Olho, então, ao redor para ver se tem mais alguém preocupado com as cenas que o cotidiano nos esfrega na cara. Mas fico surpresa, ninguém nota!

Me dou conta de que esta realidade, além de ser banalizada, é evitada pela consciência de quem não quer ver. É um mundo que existe de forma invisível, para que o nosso "mundo real" possa existir sem culpa...

Ah! Me esqueci... Por que sou Assistente Social?

Todos os dias, o cotidiano me responde porque sou Assistente Social. Porque, nos dias de semana, voltando à noite da Universidade, olhos atentos na estrada, me deparo com cenas, ao longo do caminho, a observar o mundo invisível que ninguém vê: adolescentes cheirando, se injetando, se prostituindo, numa ciranda, novamente, de omissão e de descaso. Eles somente serão notados quando ameaçarem "os homens de bem", mas - aí é que está - não para a busca coletiva de um processo que os inclua na sociedade. Pelo contrário. Será para se discutir - isso sim - quantas cadeias mais teremos que construir, dando espaço direto à insensatez social e ao descompromisso com a infância e com a adolescência, responsabilizando-se, assim, a pobreza e o número de filhos pela violência cotidiana.

Sempre são eles, nunca somos nós. Nunca se analisa a sociedade capitalista em que vivemos e a sua forma perversa de exclusão.

Por que sou Assistente Social?

Estou sempre atenta a este mundo que passa desapercebido. Quando ouço rádio ou vejo televisão, fico discutindo com as notícias.

Como pode o âncora do jornal da noite ter uma visão tão estreita da realidade, quando trata o Movimento dos Sem Terra como um movimento de bandidos? Qualquer argumentação contrária leva a pexa do discurso antigo.

Discurso antigo é o deles! Porta-vozes de quem oprime...

Por que sou Assistente Social?

Porque olho o mundo invisível dos sem direitos. Dos famintos, dos doentes, dos sem educação, dos desesperançados, dos espoliados, dos excluídos. Porque sei que os donos do capital têm seus instrumentos – leia-se, aí, a Grande Mídia – para manterem a desinformação, a opressão e os privilégios.

E os oprimidos?! O que têm?!

Por que sou Assistente Social?!

Porque sou indignada com a injustiça, porque direitos, para mim, só têm significado com garantia. Porque esta escolha profissional veio me possibilitar, ao longo de minha vida, estar na luta permanente, na defesa intransigente dos direitos humanos e na busca de uma sociedade mais justa.

Feliz dia dos Assistentes Sociais, este que sempre será todos os dias em que se levanta a voz na defesa daqueles que têm os seus direitos cotidianamente negados.

(Maria da Graça Maurer Gomes Türck)